Sexta-feira, Março 18, 2005

Sobre as SCUT's

Vou sair em defesa do Vítor Constâncio e apresentar mais alguns argumentos pelos quais penso que não devem existir portagens sobre utilizadores directos das SCUT:
  1. Para se poder cobrar portagens numa Auto-Estrada é necessário garantir vias alternativas de circulação. Esta situação obriga a que o estado, caso queira cobrar portagens e assumindo que se vai comportar como pessoa de bem, invista em infra-estruturas que podem ser socialmente irrelevantes (numa opção sem portagens não é necessário o investimento).
  2. Um sistema de portagens custa dinheiro a implementar e a gerir. Um sistema de portagens com muitas excepções custa ainda mais dinheiro a implementar e a gerir. Um aumento dos impostos já existentes do sector automóvel tem sempre um custo marginal de implementação e, portanto, não teria um grande impacto nos custos directos da cobrança do estado (não estou a falar de potenciais distorções económicas, isso é outra conversa).
  3. Se as SCUT foram criadas com o intuito de aumentar a equidade regional em Portugal, promovendo vias de comunicação baratas no interior, então o principio do utilizador-pagador não deve ser aqui aplicado (pelo menos na sua globalidade, se não invertesse o pressuposto)
Ideias para pensar ... estou à espera das vossas criticas (escrevi isto em menos de 10 minutos, por isso deve ter bastantes erros ... critiquem também isso!!!)

2 Comments:

Blogger Frankie Bang Bang said...

Manuel,

cá vamos nós. Sendo que o país já subsidiou uma auto-estrada inteira, que beneficia à volta de 300000 pessoas, não seria descabido que as mesmas passassem simplesmente a pagar a sua manuntenção. Nota que se fizessemos uma auto-estrada por cada 300000 habitantes em Lisboa tinhamos neste momento cerca de 6 auto-estradas de 200km (era sempre às voltas, não sei onde iriam dar).
Eu percebo o argumento da equidade, mas também tens de perceber o argumento da justiça. Existe uma quota parte de responsabilidade do "interior" per si que justifica um menor desenvolvimento da região, seja o facto de estar longe dos centros de decisão, seja o facto de não ter acesso a infra-estruturas como aeroportos, portos etc. A outra quota parte de responsabilidade são as câmaras dessas regiões, cronicamente populistas, caciquistas e muito simplesmente, medíocres no pensamento e na acção desenvolvida. Ora essa mediocridade não devemos subsidiar. Estão menos desenvolvidos? Pois estão, mas tal como eu não defendo que os impostos do Minho devam pagar a ponte 25 de Abril (como hoje acontece), não posso defender que eu pague os custos do atraso do interior (quando tais são imputáveis às suas escolhas enquanto agregados populacionais).

2:18 PM  
Anonymous RF said...

Que confusão....

1. A ponte 25 Abril está mais do que paga. E a manutenção não custa certamente 1,15 € (230$) por cada carro que passa na ponte
2. Os utentes da ponte 25 de Abril estão a pagar um ponte que nunca utilizam (a Vasco da Gama). Bela engenharia financeira esta!!! Mais uma vez o princípio do "não utilizador pagador"
3. Continuamos sem perceber a borla dada aos veraneantes em Agosto. Quando é para trabalhar, paga-se....
4. Existem alternativas grátis à 25/Abril... a nado ou então indo por Vila Franca de Xira.

2:31 PM  

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