Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006

As novas forças de Bloqueio

"Reconheço que às vezes ultrapasso os limites de velocidade, mas isso é porque sou um deputado que cumpre horários. Não sou como outros que não chegam a horas às reuniões"
Ricardo Almeida, Deputado na Assembleia da República


Não poderá um homem honesto tentar chegar a horas aos seus compromissos???

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A Noticia
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Multado "quase duas dezenas de vezes"Deputado Ricardo Almeida com 18 multas de trânsito arquivadas ou prescritas 22.02.2006 - 10h07 Lusa

O deputado do PSD eleito pelo círculo do Porto Ricardo Almeida já foi multado "quase duas dezenas de vezes" em situações relacionadas com o trânsito automóvel, mas quase todos os processos foram arquivados, avança hoje o "Jornal de Notícias".
De acordo com o jornal, o deputado Ricardo Almeida, de 31 anos, foi interceptado na auto-estrada, na zona de Coimbra, a circular a mais de 200 quilómetros por hora. O auto está no Governo Civil de Coimbra, ao qual Ricardo Almeida juntou um pedido especial no sentido de lhe ser perdoada a apreensão da carta de condução.Segundo o JN, o deputado já foi autuado pela Brigada de Trânsito de Aveiro, da Guarda, de Leiria e de Lisboa, pela PSP e GNR.Do seu registo de automobilista constam transgressões cometidas ao volante de pelo menos quatro carros distintos, mas nenhum deles registado em seu nome.Quase todos os autos relativos a estas infracções ou foram arquivados ou estão em vias disso, escreve o JN. Há pelo menos quatro multas que foram arquivadas por prescrição na entidade autuante, o que significa que quem levantou o auto reteve-o durante pelo menos um ano em seu poder, sem o enviar à Direcção-Geral de Viação (DGV).Segundo o jornal, só por excesso de velocidade o deputado tem pelo menos seis multas (quase todas graves ou muito graves).Em declarações ao JN, Ricardo Almeida afirmou-se surpreendido com o "histórico" de infracções e disse não se lembrar de ter sido autuado tantas vezes. "Reconheço que às vezes ultrapasso os limites de velocidade, mas isso é porque sou um deputado que cumpre horários. Não sou como outros que não chegam a horas às reuniões", justificou o político.O governador civil de Coimbra, Henrique Fernandes, garantiu ao JN que não perdoará multas a ninguém, "independentemente do seu estatuto".

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

O País enquanto Filme! (1)

Para tentar tirar o 225 da sua habitual monotonia e marasmo surge um novo segmento ... Títulos para o nosso Portugalito enquanto filme!

23 de Janeiro:
"In a journey through the void..." - "Numa viagem pelo vazio..."

Direcção de Marketing e Comunicação 225

Quarta-feira, Dezembro 07, 2005

Sebastian chega aos 80 ...

Levou-me algum tempo a decidir … mas já decidi … aqui a minha explicação porque irei votar em quem vou votar …

O cargo de PR é de um poder vital. Mas esta vitalidade depende da personalidade que o ocupa.

Não cabe ao PR definir a estratégia e as formas de como esta estratégia é executada. Isso corresponde apenas ao poder executivo.

Mas o PR deve ser capaz de validar e expor a sua visão de quais os pontos cruciais em que acção do poder executivo deve estar enquadrada.

Isto implica que um PR eficiente terá compreender a Nação, a sua posição actual, os seus anseios. Deve também ter um conjunto de ideias chave para enquadrar o futuro da Nação. Uma visão daquilo que esta representou e o que deve passar a representar.

Quando li há umas semanas atrás a crónica do Vasco Pulido Valente, este fez algo de muito contra-natura para a sua personalidade … um semi-elogio a Soares. Lendo bem a crónica de facto o que se passou foi não tanto um semi-elogio a Soares do que um ataque a Cavaco, o que se coaduna muito mais com a personalidade de VPV.

Em relação a Cavaco, o que me inquieta nele é precisamente o Nada que VPV fala. Não há nele um pensamento original, um rumo, uma convicção. Qualquer entrevista dada por si roça sempre a banalidade total … não vale a pena perguntar-lhe algo porque as respostas são sempre vagas e banais, não originais, desenhadas à medida para não expressar qualquer indicação de qual é o seu pensamento sobre o assunto em causa... assumindo que este pensamento existe.

Um líder tem de ser forte. Tem de ter a coragem de expor aquilo que representa. Cavaco não foi um grande Primeiro-Ministro. A ser eleito será, a meu ver, um perfeito erro de casting como PR.

De Manuel Alegre, em quem eu pensei em votar, temos de novo a inquietação do Nada... Ele ergue-se não se sabe muito bem contra o quê. Ele próprio o confessa no conto “O Quadrado” que li, e que, devo dizer que gostei muito.

Em o “Quadrado” Alegre fala num soldado que só no seu “quadrado” , luta contra um inimigo que desconhece … desconhecendo também as razões porque luta … ou melhor … conhecendo apenas a razão pela que resiste, porque não é bonito um homem render-se …é mesmo uma grande falta de educação.

Este conto representa a razão porque gosto de Manuel Alegre, mas também representa a razão pela qual não irei votar nele … o aspecto estético não pode ser a coluna dorsal do pensamento político …

Nunca li o livro História Interminável, mas lembro-me muito bem do filme. Lembro-me do rapaz Sebastian que lutava para salvar a terra encantada de Fantasia do Nada.

Parece-me que esse rapaz já passou a fasquia dos 80, mas que continua jovem, e que dentro daqueles que se propõem a representar a nação é aquele que em melhores condições se encontra para fazer esse papel: o de nos representar.

Terça-feira, Novembro 29, 2005

Novo Cluster Nacional


Dado o elevado número de especialistas nacionais em projectos de impacto de localização de infra-estruturas Aero-Portuárias, venho por este meio sugerir a inclusão no Plano Tecnológico de iniciativas conducentes à criação de um Cluster nacional em torno deste sector.

Quarta-feira, Novembro 16, 2005

Que questão: politicas de Multi-Culturalidade ou Assimilação?

A análise que está a ser feita de prós e contras do modelo de Assimilação e de Multi-culturalidade tem de ter em conta o problema económico por detrás destes distúrbios.
Em Inglaterra, Canadá e Austrália, exemplos de modelo de multi-culturalidade, existem mais soluções disponíveis para os filhos da 1ª geração de emigrantes que simplesmente o desemprego. Isto porque as suas economias são, de momento, mais dinâmicas que a Francesa.

Isto não é o mesmo que dizer que essas sociedades não têm problemas de xenofobia... a Austrália e a Inglaterra são sociedades pelo menos tão xenófobas como a Francesa: também há motins raciais em Inglaterra e os debates como aqueles em torno do "canalizador polaco" devem ser recordados (1). Enquanto imigrantes portugueses são atacados na Irlanda do Norte apenas devido à sua origem estrangeira, não se pode proclamar o modelo Britânico como um sucesso absoluto (lembrar que Londres não é toda a Inglaterra).

Continuando, para observar um modelo de integração multi-cultural de imigrantes de sucessos verdadeiramente comprovados, podemos olhar como exemplo para o Canadá. Apesar deste modelo não ser passível de total replicação na Europa, nota-se nele o que é um modelo multi-cultural em que quando é necessário dar o exemplo, este vem de cima: a Governadora Geral do Canadá (segunda pessoa na hierarquia do estado depois da Rainha Isabel II) é Michelle Jean, uma Canadiana nascida no Haiti. Isto quer dizer o seguinte, no Canadá aposta-se na integração! Isto porque multi-culturalidade sem integração é simplesmente segregação.

Os parágrafos acima servem apenas para referir que esta questão não pode ser observada apenas como um problema de modelo de integração de imigrantes... Tem de ser feita uma análise mais profunda... o que não me proponho a fazer... apenas estou a reflectir e a referir que esta análise mais profunda é necessária...

(1) – Durante o processo de alargamento Europeu em Inglaterra foi surgindo o debate em torno da ameaça do “Canalizador Polaco” (figura representativa da imigração dos países novos da UE). Esta ameaça aparecia sempre num tom de xenofobia. No entanto, de facto, para a classe trabalhadora a existência mais imigrantes, com as mesmas ou mais qualificações que as da sua própria classe, tem obviamente um impacto no nível de salários praticado … não existiria imigração se esta situação não fosse verdade. Claro que no todo a Economia beneficia sempre com a existência de Imigração … mas, como em todos os casos, uns mais que outros …

Les neuves Enfants de la Patrie ...

"IN THE deprived suburbs, a kind of soft terror rules. When too many young people see nothing ahead but unemployment after they leave school, they end up rebelling. For a time the state can struggle to impose order, and rely on welfare benefits to avoid worse." O mais surpreendente destas palavras é foram ditas à 10 anos atrás por um cavalheiro francês de nome Jacques Chirac.

O artigo "After two weeks of car-burning" do Economist desta semana acrescenta o "aspecto económico" ao já muito debatido problema "Francês". Não sendo, nem pretendendo ser, muito exaustivo, toca em pontos que não estavam a ser correctamente enfatizados...

A Economia Francesa não está a criar oportunidades para estes seus novos “filhos”: entre os jovens dos subúrbios em que estes problemas estão a ocorrer a taxa de desemprego ronda os 40% (informação também do Economist).

Vale a pena ler o artigo que não é longo (e ver uma pequena análise para além de modelos de Assimilação e Multi-culturalidade).

Terça-feira, Novembro 08, 2005

2º Dia ... a este Ritmo lá para Janeiro acabo isto :)

Lá vem a Nau Catrineta que tem muito de contar … ouvi agora Senhores esta história de encantar…

Quando aluguei o carro, via Web, o fabuloso site da easycar apresentou várias escolhas de concessionários no centro de Atenas para levantar o mesmo…

Como a minha geografia Ateniense não era a melhor na altura seleccionei um escritório com o nome de Kyfisas Downtown … Ora Kyfisas não é uma grande avenida em Atenas?

Quando nos levantámos no Hostel tínhamos os nossos planos … metro até ao Estádio Olímpico (o novo) dar uma vista de olhos e depois seguir para Kyfisas 286, que não era, segundo os sites com a geografia Ateniense, muito longe daí.

O Complexo Olímpico está quase completamente deserto de gente. Mas merece bem uma visita. Quem já conhece e gosta da obra de Santiago Calatrava (aqui em Portugal a Estação REFER do Oriente) vai achar piada à área conhecida como Agora.

O Estádio em si é muito proporcional. Como todos os estádios em que alguma vez entrei, parece mais pequeno do que o conhecimento/dimensão que se tem ao vê-lo da televisão (nunca me esquecerei da desilusão da primeira vez que entrei no velhinho Estádio de Alvalade …).

Penso que essa desproporção é fruto de uma mistura entre a visão da câmara de TV … que é limitativa …. e da proporção do eventos que decorrem nesse espaço. Os jogos olímpicos são um evento maior que a vida … na nossa visão passam num palco maior que a realidade.

Pois bem, complexo olímpico visitado, rumámos para o stand da Hertz. Após 30 minutos a caminhar naquilo que parecia ser a 2ª circular do burgo, resolvemos apanhar um Táxi para nos levar ao nosso stand …

Mas há algo de errado … o 286 não é stand nenhum da Hertz … calma … calma … que se passa???

Lição de Geografia Ateniense 1: a avenida Kyfissas é a maior da Grécia, tendo mais de 30 KM de dimensão. Os seus números trocam três vezes. Ou seja estávamos a cerca de 10 KM do destino final (que já nem sequer no Concelho de Atenas é). Conseguimos apanhar um BUS à borla (não conseguimos perceber como é que se compravam os bilhetes daquele transporte … e os Gregos não são grandes apreciadores da língua de Shakespeare e Byron).

Com o bólide da Hertz nas nossas mão tentamos rumar para fora de Atenas o mais rápido possível. Infelizmente as estradas gregas são um pouco intragáveis.

Em primeiro lugar nem todos os letreiros vêm em alfabeto Latino. Esta situação traduz-se numa oportunidade de ouro para entender o valor fonético das letras gregas que nos ensinaram os nossos professores de matemáticas.

Em segundo lugar Atenas é uma confusão! Ponto final! Guiar naquela cidade para um não Grego é das experiências mais enriquecedoras que se pode obter na UE. Melhores locais para aprender condução defensiva em que tenha estado só mesmo Nápoles e algumas estradas de montanha na Polónia.

Mas conseguimos sair! Dirigimo-nos ao Peloponeso, conforme o planeado, mas já com horas perdidas. Resultado: tivemos de improvisar o resto do dia!

Micenas: não estava à espera de tanto. É fascinante. Cenário digno de um dos Reis de dos livros mais importantes do Mundo. O lendário Agamémnon da Ilíada era senhor de Micenas.

O Peloponeso tem uma paisagem fabulosa. Isto mesmo no Verão grego, em que Hélios castiga a terra com os seus raios em demasia.

São montanhas atrás de montanhas. Montados de Oliveira plantados de forma certa. Uma espécie de Alentejo enrugado em que o Sobral e o Azinho são substituídos pela Oliveira.

Micenas situa-se no sopé de dois montes. As suas muralhas são realmente Ciclópicas. Fazem jus à lenda que refere que o primeiro Rei da cidade, Perseu (em si já mitológico q.b.), terá empregado os gigantes Ciclopes para a construção da mesma.

Mas o que é realmente fabuloso é a noção de estar em Micenas. De passar por baixo da porta dos Leões. E de tudo fazer sentido. Quase três mil anos de história têm ali uma presença real.

O tesouro de Atreus merece uma palavra também … o “tesouro” é um túmulo com três mil anos, com uma cúpula de altura imponente.

Visitada Micenas seguimos em busca de local para assentar arraial. Essa noite montámos a tenda num Parque de Campismo mesmo frente ao mar. Tendo chegado a molhar os pés no Egeu … de facto aquela água é muito quente. Enfim … há quem goste, mas para mim mar sem ondas e sem sensação de “frescura” não é mar …

Fomos jantar a Naplflion, cidadezinha muito engraçada. É preciso explicar que em termos de estética urbanística da segunda metade do século XX os Gregos não nos ficam atrás.
Napflion têm um bairro histórico muito grande e uma frente marinha muito integrada. Bom local para visitar! Comido o Souvlaki e visitada a cidade regressamos a campo … amanhã temos de recuperar o tempo perdido.

Prós & Contras

Ontem sucedeu-se um momento muito raro na TV Portuguesa ... vejam ou revejam o Prós & Contras ... devia entrar para a antologia da TV Nacional principalmente a conversa (não foi bem debate) entre Dom José Policarpo e o José Barata Moura.

Não conheço os horarios, mas vão a www.rtp.pt (ontem este programa foi Serviço Público na maior concepção da palavra).

Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Dia 1!



Atenas … primeiro dia …

A Acrópole é uma visão. Vive bem no nível do sonho que se tem dela. Quando a vi pela primeira vez na noite anterior, a caminho do Hostel aquele calcário e mármores brancos iluminados pareciam flutuar sobre a cidade, e0 contraste com a colina de vertentes inclinadas e pouco iluminada em que a cidade imaginada por Péricles se sustenta.

É verdade que a construção destes Templos levou o tesouro público de Atenas à quase falência. O que a fez colocar numa posição ingrata na Guerra do Peloponeso.

Enfim… dois mil anos depois foi a construção de São Pedro que levou os Papas da altura a vender Indulgências. Essas mesmas que levaram a Lutero a escrever as suas teses e ao maior cisma religioso no Ocidente.

Grandes obras … grandes problemas … A Acrópole para nós vale a pena … Talvez os Atenienses do século V A.C. tivessem acabado por pensar que não.

Mas hoje ela eleva-se … e é isso, e é tudo. Ela eleva-se sobre nós e sobre estes problemas humanos. A pedra é mais forte que a carne.


Bem, como visitar a Acrópole? … eis um problema em si só. Como se visita um local tão sagrado … estarei só a ver pedras, rodeado por pessoas de todo o mundo, que parecem não compreender o terreno sagrado em que se encontram. Por vezes parece-me que faço parte de uma terrível profanação …

De máquina em punho procuro ângulos engraçadas para as minhas fotos, visito o Museu, passeio entre os templos sagrados e é tudo. Parece pouco…

Subo ao Areópago, o que é divertido, e observo toda a área da Agora. Desço para a mesma visito-a e continuo a andar pelo bairro, que venho já posteriormente a saber, é Monastiraki. Uma imensa feira da Ladra onde se podem comprar todo o tipo de bugigangas … essas do mesmo tipo das que se vendem em todas as Feiras da Ladra deste mundo. Globalização ex-machina.

O primeiro almoço consiste numa salada Grega e num Gyro. Nunca tinha comido queijo Feta. Recomendo.

Da parte da tarde fomos fazer a romaria ao Museu Nacional de Arqueologia … Do muito que vi chamo a atenção para três coisas: a chamada Máscara de Agamemon, que vem das escavações de Micenas (ex-libris grego por excelência), as estatuas dos Kourai e Kourei e a exposição de arte Cíclade (de uma beleza tão simples quanto intemporal).

E prontos … voltar para o Hostel, banhos e sair para jantar em Atenas. Aproveitar para provar de novo a cerveja grega (Mythos) e tirar umas fotos by-nigth ao Parthenon.