Lá vem a Nau Catrineta que tem muito de contar … ouvi agora Senhores esta história de encantar…
Quando aluguei o carro, via Web, o fabuloso site da easycar apresentou várias escolhas de concessionários no centro de Atenas para levantar o mesmo…
Como a minha geografia Ateniense não era a melhor na altura seleccionei um escritório com o nome de Kyfisas Downtown … Ora Kyfisas não é uma grande avenida em Atenas?
Quando nos levantámos no Hostel tínhamos os nossos planos … metro até ao Estádio Olímpico (o novo) dar uma vista de olhos e depois seguir para Kyfisas 286, que não era, segundo os sites com a geografia Ateniense, muito longe daí.

O Complexo Olímpico está quase completamente deserto de gente. Mas merece bem uma visita. Quem já conhece e gosta da obra de Santiago Calatrava (aqui em Portugal a Estação REFER do Oriente) vai achar piada à área conhecida como Agora.
O Estádio em si é muito proporcional. Como todos os estádios em que alguma vez entrei, parece mais pequeno do que o conhecimento/dimensão que se tem ao vê-lo da televisão (nunca me esquecerei da desilusão da primeira vez que entrei no velhinho Estádio de Alvalade …).
Penso que essa desproporção é fruto de uma mistura entre a visão da câmara de TV … que é limitativa …. e da proporção do eventos que decorrem nesse espaço. Os jogos olímpicos são um evento maior que a vida … na nossa visão passam num palco maior que a realidade.
Pois bem, complexo olímpico visitado, rumámos para o stand da Hertz. Após 30 minutos a caminhar naquilo que parecia ser a 2ª circular do burgo, resolvemos apanhar um Táxi para nos levar ao nosso stand …
Mas há algo de errado … o 286 não é stand nenhum da Hertz … calma … calma … que se passa???
Lição de Geografia Ateniense 1: a avenida Kyfissas é a maior da Grécia, tendo mais de 30 KM de dimensão. Os seus números trocam três vezes. Ou seja estávamos a cerca de 10 KM do destino final (que já nem sequer no Concelho de Atenas é). Conseguimos apanhar um BUS à borla (não conseguimos perceber como é que se compravam os bilhetes daquele transporte … e os Gregos não são grandes apreciadores da língua de Shakespeare e Byron).
Com o bólide da Hertz nas nossas mão tentamos rumar para fora de Atenas o mais rápido possível. Infelizmente as estradas gregas são um pouco intragáveis.
Em primeiro lugar nem todos os letreiros vêm em alfabeto Latino. Esta situação traduz-se numa oportunidade de ouro para entender o valor fonético das letras gregas que nos ensinaram os nossos professores de matemáticas.
Em segundo lugar Atenas é uma confusão! Ponto final! Guiar naquela cidade para um não Grego é das experiências mais enriquecedoras que se pode obter na UE. Melhores locais para aprender condução defensiva em que tenha estado só mesmo Nápoles e algumas estradas de montanha na Polónia.
Mas conseguimos sair! Dirigimo-nos ao Peloponeso, conforme o planeado, mas já com horas perdidas. Resultado: tivemos de improvisar o resto do dia!
Micenas: não estava à espera de tanto. É fascinante. Cenário digno de um dos Reis de dos livros mais importantes do Mundo. O lendário Agamémnon da Ilíada era senhor de Micenas.
O Peloponeso tem uma paisagem fabulosa. Isto mesmo no Verão grego, em que Hélios castiga a terra com os seus raios em demasia.
São montanhas atrás de montanhas. Montados de Oliveira plantados de forma certa. Uma espécie de Alentejo enrugado em que o Sobral e o Azinho são substituídos pela Oliveira.
Micenas situa-se no sopé de dois montes. As suas muralhas são realmente Ciclópicas. Fazem jus à lenda que refere que o primeiro Rei da cidade, Perseu (em si já mitológico q.b.), terá empregado os gigantes Ciclopes para a construção da mesma.
Mas o que é realmente fabuloso é a noção de estar em Micenas. De passar por baixo da porta dos Leões. E de tudo fazer sentido. Quase três mil anos de história têm ali uma presença real.
O tesouro de Atreus merece uma palavra também … o “tesouro” é um túmulo com três mil anos, com uma cúpula de altura imponente.
Visitada Micenas seguimos em busca de local para assentar arraial. Essa noite montámos a tenda num Parque de Campismo mesmo frente ao mar. Tendo chegado a molhar os pés no Egeu … de facto aquela água é muito quente. Enfim … há quem goste, mas para mim mar sem ondas e sem sensação de “frescura” não é mar …
Fomos jantar a Naplflion, cidadezinha muito engraçada. É preciso explicar que em termos de estética urbanística da segunda metade do século XX os Gregos não nos ficam atrás.
Napflion têm um bairro histórico muito grande e uma frente marinha muito integrada. Bom local para visitar! Comido o Souvlaki e visitada a cidade regressamos a campo … amanhã temos de recuperar o tempo perdido.